O Sincretismo Não Foi Lindo, Foi Sobrevivência
Precisamos falar a verdade, sem romantismo: o sincretismo religioso não nasceu de uma união pacífica entre duas fés. Ele foi fruto da dor, da proibição e de um sistema que tentou apagar a nossa história a todo custo. Nossos ancestrais foram proibidos de saudar seus Orixás e seus Guias.
Mas em vez de se dobrarem, eles gingaram.
Usar a imagem de um santo católico para rezar para um Orixá ou um Guardião foi uma estratégia genial de resistência. Foi a forma que eles encontraram para manter a nossa chama acesa sob os olhos de quem nos oprimia.
Por isso, hoje, muitos debatem se devemos abandonar o sincretismo. Mas a verdade é que apagar o sincretismo da nossa história seria um erro grotesco e um desrespeito sem tamanho com quem sangrou e lutou para defender suas crenças. Olhar para uma imagem sincrética não é aceitar a opressão; é celebrar a vitória dos nossos mais velhos, que garantiram que o Axé chegasse vivo até nós.









